Vivemos na era digital, no século da informação. Apesar disso, nas escolas, os jovens têm cada vez mais dificuldades em assimilar informações, o que fica mais evidente na interpretação de textos. Isso tem frustrado professores em todo o mundo.

Mas, não desista!

Às vezes precisamos apenas olhar as coisas por um ponto de vista diferente, e recomeçar de uma outra maneira.

Tanta informação, pra quê?

Os jovens estão cercados de informações, mas têm dificuldade de assimilar isso. Então, entre no ritmo deles.

Reflita nisso: a sociedade nunca usou tanto a linguagem escrita como hoje. Escrevemos e lemos em redes sociais como Facebook, Whatsapp, Twitter, etc.

Mas a forma como temos lidado com a escrita mudou. Crianças, adolescentes, e muitos adultos (e poderia afirmar que é a maioria), querem respostas rápidas, diretas e funcionais. Quando um professor apresenta um texto denso, pesado, cheio de informações e detalhes, que têm pouco ou nenhum valor na vida real, a coisa complica.

E agora?

  • Comece do básico. Apresente textos simples, com vocabulário fácil, parágrafos curtos com no máximo 4 linhas (cerca de 50 palavras). Destacar algumas palavras em negrito ou itálico pode ser interessante.
  • Aprimore a quantidade e densidade do texto aos poucos, apresentando algumas palavras novas que exigirá pesquisa dos alunos.
  • Elabore uma interpretação de texto pequena, com perguntas simples (partindo das objetivas para as subjetivas). Com o tempo aprofunde os questionamentos do texto.
  • Ajude os alunos a corrigir suas próprias respostas, partindo de frases mais simples. É melhor 3 respostas bem elaboradas do que 10 respostas feitas de qualquer jeito, e que você não dê conta de acompanhar o progresso do aluno.

Tudo isso vai depender do nível dos alunos e do ano escolar. Mas, partindo do mais básico, você poderá perceber erros simplórios que os alunos cometem e trabalhar em cima disso, antes de passar para textos mais elaborados.

Sugestão de atividade de interpretação

O homem que entrou pelo cano 

Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares.

Vez ou outra, um desvio, era uma secção que terminava em torneira. Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante.

No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava. Ficou na torneira, à espera que abrissem. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada.

Ela gritou: “Mamãe, tem um homem dentro da pia”. Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto.

Ignácio de Loyola Brandão

1. Que fato incomum ocorreu no enredo do texto?

2. Qual foi a reação do homem ao entrar no cano?

3. No fechamento do texto, há algo que quebra a expectativa do leitor, o que é?

 

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